domingo, 22 de outubro de 2017

ESCREVO PORQUE GOSTO DE ESCREVER


Imagem - IN$PiRATiON


ESCREVO PORQUE GOSTO DE ESCREVER


Escrevo porque gosto de escrever
E porque gosto de todas as letras do alfabeto.
Não escrevo para me livrar delas, antes pelo contrário
Gravo-as no coração para me encontrar com elas.
Eu amo as palavras porque elas têm sentido de vida, 
Com mais ou menos ênfase, são todas bem-vindas
Quando conjugadas em sintonia ao tempo delas.

Escrevo porque gosto de escrever
E porque gosto de exprimir sentimento.
Não escrevo para me livrar dele, antes pelo contrário
Vivo-o intensamente pelo candelabro de minhas janelas.
Eu dou continuidade ao que sinto, existimos, há vida,
Vida que projeto em palavras que podem ser lidas,
Com mais ou menos entusiasmo, por outras janelas.

Escrevo porque gosto de escrever
E porque gosto de expressar humanidade.
Não escrevo para me livrar dela, antes pelo contrário
Fomento-a para afirmar uma das palavras mais belas.
Eu gosto de escrever a verdade de uma vista cansada
Sem lhe dar sentido pejorativo. Paz, união cerzidas
Têm maior valor que outro discurso ou balelas.

Escrevo porque gosto de escrever
E porque gosto de viver o todo de uma realidade.
Não escrevo para me livrar dela, antes pelo contrário
Quero-me parte dela para ajudar a sarar mazelas.
Eu gosto de escrever e sobretudo amar esperançada
Que haverá dia em que escrevemos de mãos dadas
Palavras nossas certos que não é mera olhadela.

© Ró Mar

sábado, 21 de outubro de 2017

ESTE NATAL NINGUÉM DEVIA TER ÁRVORE DE NATAL


Imagem - Zzig.


ESTE NATAL NINGUÉM DEVIA TER
ÁRVORE DE NATAL


O Natal ainda vem longe, bem sei,
Mas, é o momento de pensar-mos nele
E com o devido respeito que o tempo impõe.
Este natal ninguém devia ter árvore de natal
Porque o pinheiro está quase a extinguir
E ainda porque o espírito natalício é repartir.

Este Natal aquelas montanhas que se gastam
Para construir um dia de felicidade deviam ser
Endossadas aos que mais necessitam.
Teríamos todos um natal mais pobre, sim eu sei,
Um dia a menos aos que os têm todos! 
Ninguém lê, ainda assim envio ao Pai de Natal.

Mando-lhe versos, pois, não tenho outra ideia
Que melhor expresse o que vai pela aldeia.
E ainda, peço-lhe que perdoe os que me fazem 
Escrever assim. Tenho que pensar também 
Nas crianças e dar uma palavra às famílias:
Deem-lhes amor, a atenção é a melhor das ceias.

O Natal ainda vem longe, bem sei,
Mas, o natal é sempre que o homem quer.
E, eu quero e outros mais querem sentir o mundo.
Este natal ninguém devia ter árvore de natal,
Porque há muitas vidas que dependem dele
E todos devemos ser parte do que se expõe.

SOMOS UM POÇO DE SENTIMENTOS


Imagem - J'ad' OR


SOMOS UM POÇO DE SENTIMENTOS


Nós, somos um poço de sentimentos
(Lá bem ao fundo) de nós e dos nossos
E mui dificilmente chegamos aos outros.
Mas, quando o lodo abunda extravasamos 
E o mundo fica, mais pobre, rico de impurezas.

Ah como, poderíamos ser mais humanos,
Potáveis literalmente (amar e ser amado),
Para nunca termos que esbarrar no lodo 
E sacudi-lo a quem é como nós e os nossos!
Mas, somos um poço de sentimentos.

© Ró Mar

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

SER O QUE SOU, MAIS O QUE NÃO SOU E AINDA OUTRA VIDA!


Imagem - Bellissime Immagini 


SER O QUE SOU, MAIS O QUE NÃO SOU
E AINDA OUTRA VIDA!


Ah, quem me dera a mim, saber escrever
Em qualquer folha e sem tinta, compreender
E de olhos fechados a expressão humanidade!
Saber ler num abrir e fechar de olhos o mundo
Como quem o conhece mais que alguém!

Ah, quem me dera a mim não pensar nada e dizer 
Tudo, o que me vem à memória e vai pelo universo,
Sem ter que exercitar ciências, filosofias e a vida
Pela paleta de certa mensura (inventada por alguém).
Ser o que sou, mais o que não sou e ainda outra vida!

Ah, quem me dera a mim ser esculpido no ouvido
De todas as gentes (que sabem e que não sabem ler),
Permanecer audível todo tempo (vivido e não vivido)
E andar de boca em boca, ó pulo, avançando o mundo.
Ser o que sou, mais o que não sou e ainda outra vida!

Ah, quanta presunção a minha ousar tais sonhos
Numa folha de sílabas decalcadas à raiz de ti, Poeta!
Nunca serei a tua imagem, nem uma outra magenta,
Ainda assim, ouso pois amo-me e amo a humanidade. 
Dou de alma e coração tudo o que sei e os sonhos.

Ah, não há nada mais bonito que dar tudo,
O que temos e não temos (temos sonhos),
De mão beijada, não esperando mais que nada!
Repartir, os nossos sonhos, em prosa ou em verso
Com o mundo não é ser como tu, Poeta, mas, é ser.

Ser o que sou, mais o que não sou e ainda outra vida!

© Ró Mar

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

A NATUREZA QUER UMA OUTRA PROSA


Imagem - Zzig.


A NATUREZA 

QUER UMA OUTRA PROSA


Vejo um outono a vento conturbado,
Chuvas de dias nublados
Não trazem riqueza ao mundo,
E a natureza os dias contados!

Olho a estação à distância
Que é permitida, mas olho-a,
E nem quero pensar nela, não há poesia
Que lhe possa valer, olho-a!

Vejo um outono a minguar-se,
Chuvas de dias acinzentados
Não trazem boas aos mundos,
E a natureza que olho adivinha-se!

Olho o ciclo pela substância,
Um passado agonizando o presente,
E nem quero pensar nele, não há poesia
Que o dê por contente, olho a gente!

Vejo uma época invernosa,
Chuvas de dias quebrados
Não dão felicidade aos mundos,
E a natureza quer uma outra prosa.

© Ró Mar